A Improvisação em Uma Visão do Século XXI Parte II
Dando sequência a esse pensamento sobre a improvisação no século XXI, que é claro começa com a forte alusão ao recém terminado século passado, pois nele como talvez em nenhum outro, se pesquisou a improvisação como uma fonte genuína de expressão musical.
A questão da superação do modelo Parker/ Montgomery criado de forma brilhante pelo jazz e que ainda hoje é de certa forma predominante na linguagem musical, e em especial, uma forte referência na guitarra jazz, já foi de fato debatida pela obra de alguns outros artistas, e não só guitarristas, que eu gostaria de citar aqui. Uma das primeiras referências para a quebra desse modelo, vem na verdade de fora do contexto do jazz, através do rock experimental de Jimi Hendrix. Ocorre que quando ele utiliza o ruído, um atonalismo de efeito muito aberto dentro do seu blues, ele aproxima-se de fato de abordagens tais como as de Ornette Coleman em seu clássico trabalho "Free Jazz".
Nesse ponto existe uma troca de informações entre linguagens diferentes, mas que trazem em si a mesma semente da renovação.
Nesse ponto existe uma troca de informações entre linguagens diferentes, mas que trazem em si a mesma semente da renovação.
Essas duas linguagens trouxeram para o mundo um novo significado em termos de sons e timbres, mas também de formas mais livres, desvinculadas da clássica estrutura ABA e suas variantes. A questão do conceito chord/melody ser também diluído em uma atmosfera mais rarefeita de sentido prático aparente, mas ligado a formação de vários signos estéticos de grande valor referencial para a humanidade, representam uma verdadeira reentrada da música nos grandes temas universais. Desde Beethoven e Wagner, e isso na música erudita, esses temas não eram assim abordados, sendo a exceção para o misticismo introspectivo de Debussy e Bill Evans, mas que aqui vem na forma de uma catarse estética muito forte.
Sob outros parametros, a busca pela renovação da linguagem encontrou eco nas cordas através de um grande violonista e compositor chamado Ralph Towner. Ele , ao contrário dos exemplos anteriores, nem realiza a catarse sonora e nem o lirismo frio, mas revitaliza a direção melódica com uma grande inventividade, unindo as vertentes, do rock, erudito e jazz.
A música de Towner realmente realiza uma outra síntese improvisacional que não passa pela gramática do Bepbop. Sua linguagem vem do erudito e da música contemporânea.
Mais especificamente na guitarra, temos dentre outros, alguns expoentes que realmente prepararam o terreno para o século XXI, afora estes que já foram citados.
Dois nomes não podem deixar de ser citados:
John McLaughin- Importante elo de ligação entre o jazz clássico e o jazz/rock, trabalhou um fraseado bem autoral, onde a velocidade e formações de shapes móveis são frequentes, seja tonal ou atonal.
Impossível também não citar o também inglês Allan Holdsworth como um mestre na expressão pós Coltrane, com um fraseado fluído onde o tonal e o atonal misturam-se criando o novo
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