sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


A Improvisação em Uma Visão do Século XXI  Parte II




   Dando sequência a esse pensamento sobre a improvisação no século XXI, que é claro começa com a forte alusão ao recém terminado século passado, pois nele como talvez em nenhum outro, se pesquisou a improvisação como uma fonte genuína de expressão musical. 
   A questão da superação do modelo Parker/ Montgomery criado de forma brilhante pelo jazz e que ainda hoje é de certa forma predominante na linguagem musical, e em especial, uma forte referência na guitarra jazz, já foi de fato debatida pela obra de alguns outros artistas, e não só guitarristas, que eu gostaria de citar aqui. Uma das primeiras referências para a quebra desse modelo, vem na verdade de fora do contexto do jazz, através do rock experimental de Jimi Hendrix. Ocorre que quando ele utiliza o ruído, um atonalismo de efeito muito aberto dentro do seu blues, ele aproxima-se de fato de abordagens tais como as de Ornette Coleman em seu clássico trabalho "Free Jazz". 
   Nesse ponto existe uma troca de informações entre linguagens diferentes, mas que trazem em si a mesma semente da renovação. 












   Essas duas linguagens trouxeram para o mundo um novo significado em termos de sons e timbres, mas também de formas mais livres, desvinculadas da clássica estrutura ABA e suas variantes. A questão do conceito chord/melody ser também diluído em uma atmosfera mais rarefeita de sentido prático aparente, mas ligado a formação de vários signos estéticos de grande valor referencial para a humanidade, representam uma verdadeira reentrada da música nos grandes temas universais. Desde Beethoven e Wagner, e isso na música erudita, esses temas não eram assim abordados, sendo a exceção para o misticismo introspectivo de Debussy e Bill Evans, mas que aqui vem na forma de uma catarse estética muito forte.


    Sob outros parametros, a busca pela renovação da linguagem encontrou eco nas cordas através de um grande violonista e compositor chamado Ralph Towner. Ele , ao contrário dos exemplos anteriores, nem realiza a catarse sonora e nem o lirismo frio, mas revitaliza a direção melódica com uma grande inventividade, unindo as vertentes, do rock, erudito e jazz.












A música de Towner realmente realiza uma outra síntese  improvisacional que não passa pela gramática do Bepbop. Sua linguagem vem do erudito e da música contemporânea.    

Mais especificamente na guitarra, temos dentre outros, alguns expoentes que realmente prepararam o terreno para o século XXI, afora estes que já foram citados.

Dois nomes não podem deixar de ser citados:

  John McLaughin- Importante elo de ligação entre o jazz clássico e o jazz/rock, trabalhou um fraseado bem autoral, onde a velocidade e formações de shapes móveis são frequentes, seja tonal ou atonal.

     


 Impossível também não citar o também inglês Allan Holdsworth como um mestre na expressão pós Coltrane, com um fraseado fluído onde o tonal e o atonal misturam-se criando o novo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O ESTUDO DA LEITURA MUSICAL NA GUITARRA




      O guitarrista está sempre envolvido com algum processo criativo, tipo
criando solos ou estudando escalas para inserir neles,compondo ou praticando
riffs, enfim, coisas que não necessitam do conhecimento da leitura musical.
      
      Sempre através dos tempos, a guitarra e seus parentes diretos (violão,viola
caipira, folk guitar, alaúde,guitarra espanhola, etc) utilizaram-se de sistemas
de tablatura para passar suas idéias adiante.
      Esse sistema, que com algumas
modificações é o mesmo que vemos hoje nas revistas especializadas junto com as
partituras, funciona muito bem se o guitarrista conhece a música. Já se ele não
possui o take para acompanhar junto e ir colocando os dedos nas posições
indicadas ,mas com o ritmo que ele está ouvindo, aí a coisa se complica um
pouco. Se for um arranjo escrito dentro de uma banda ou big band então, aí a
coisa fica mais estranha ainda, porque se o compositor ou arranjador não for
guitarrista, provavelmente ele não saberá lidar com a tablatura e ele imaginará
as idéias melódicas (as idéias harmônicas podem ser cifradas)e as escreverá numa
partitura.E então nos estaremos em apuros. 
       É sabido no mundo musical da enorme
deficiência que o guitarrista e ou violonista tem em relação a leitura. O
violonista tem melhorado muito nos últimos trinta anos em função dos estudo
eruditos que vem sendo escritos para esse instrumento, e também música de câmara
que tem inserido o violão nesse contexto. Já a guitarra ainda está engatinhando
nesse mundo e a quantidade de música escrita para ela pelos compositores ainda é
pequena.Por outro lado a transcrição de solos para estudo pelas revistas
especializadas tem avançado muito e realmente isso está gerando um material bem
legal que pode ser aprendido pela tablatura(desde que se tenha o take, ou pela
partitura. É claro que o sistema de tablatura é prático.Ele pode ser
compreendido sem muito esforço por qualquer garoto mais esperto. 
      Não estou aqui
para falar mal de algo que é uma realidade e uma ferramenta útil de aprendizado.
Agora, da mesma forma também a leitura assim deve ser vista, como uma expansão
das possibilidades do guitarrista em relação a música como um todo, vinculando o
instrumento ao corpo central da produção musical e não mantendo o
desenvolvimento do instrumento em separado, como um país que fala uma língua
estranha e não compreende outras línguas. Dessa forma vejo o mundo da guitarra
como algo em expansão e que mostrará no século XXI todo o seu potencial de
veiculo das idéias contemporâneas, numa continuação do já se viu na segunda
metade do século XX.Então, espero estar com essas poucas idéias, criando ânimo
para que os guitarristas incorporem a prática da leitura musical dentro da sua
grade de estudos.Sei que não é fácil e uma das maiores dificuldades da leitura
na guitarra é que o guitarrista está muito acostumado a tocar olhando o braço
para visualizar os desenhos de escalas e acordes.Isso deve ser praticado de
forma gradativa, até que ele consiga apenas dar umas rápidas olhadas referenciais
para o braço e continuar a observar o fio da meada musical escrito na
partitura.Acredito que ele não perderá nada com isso e, se a princípio isso pode
parecer inútil para os aspirantes a solistas e acompanhadores,no fundo essa
prática irá ampliar as oportunidades que surgirão com o desenvolvimento da
música, e da guitarra e dos guitarristas em especial.Então é isso.Estudem
leitura musical lendo um pouco de tudo, solos de jazz, chorinho, MPB,rock
progressivo, solos de grandes guitarristas, arranjos, solos de outros
instrumentos, música erudita, etc.
      Você só ganhará com isso.
      E a guitarra agradece.


domingo, 18 de novembro de 2012

Revisão na Técnica


Voltando Um Pouco Atrás


   Bem, depois do último post onde falei sobre a necessidade de superarmos (o termo é forte, talvez o mais exato seria buscarmos outros caminhos)  na improvisação o estilo do bep-bop e sua personificação na guitarra na figura do mestre Wes Montgomery, me veio uma vontade grande de mostrar algumas técnicas mais básicas de abordagem do instrumento para podermos nos fortalecer em termos técnicos para essa nada fácil missão. Lembrei então dessa aula de independência de dedos que eu já havia colocado no canal da escola a algum tempo atrás e que agora pode a luz dessa proposição ser revista e utilizada como uma ponte entre o estilo mais tradicional do jazz e outras possibilidades.
   É importante aqui dizer que não vai nesse tipo de proposta nenhum tipo de negação ao estilo vigente da guitarra jazz. E isso nem seria possível, pois a história do instrumento está aí , ja foi escrita e seus ícones e valores postos e suas obras são uma influência permanente na criação de novos guitarristas. Observando com atenção a aula, vesse que de fato existe dentro dela mesma momentos de citação ao estilo tradicional da guitarra. O que de fato se quer é a partir de uma abordagem técnica, chegar-se a uma solução de continuidade onde a guitarra possa permanecer com o seu "status quo" de instrumento ligado a modernidade.



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   Nessa aula existe uma referencia anterior a exercícios de independência de dedos que são de uso corrente pelos guitarrista e professores de guitarra em geral. Caso haja alguma dúvida sobre isso, posso tranquilamente passar maiores informações. basta escrever para aloysioneves@guitarravirtual.com ou ainda aloysneves@gmail.com  ,ok?
   Na sequência voltaremos a discussão mais filosófica e a alternaremos com algumas propostas práticas para continuar o processo de entendimento do instrumento em sua concepção original, além buscar linguagens contemporâneas, próprias e mesmo autorais que revitalizem nossa perspectiva diante da guitarra e afins como veículos da expressão musical, essa sim uma forma inesgotável de contar para nós de uma outra forma a nossa história. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

         A Improvisação em Uma Visão do Século XXI 


   Bem, já é tempo de todos nós analisarmos a improvisação dentro de um contexto mais geral na música, e por novos e renovados parâmetros. 
   Pois muita água já rolou debaixo da ponte desde que Charlie Parker criou a aura mística de grande improvisador do século XX com suas geniais gravações, realizadas, pasmem, de dentro de um banheiro por um seguidor...(senão me engano foram lançadas aqui no Brasil pelo selo Imagem)
   O Jazz de uma maneira geral, criou o "Status Quo" da improvisação como a conhecemos hoje. Geniais músicos fizeram suas carreiras calcados em solos, temas e improvisos trabalhados e criados a partir desse mundo mágico que é o Bep-Bop e suas derivações estilísticas.





  Até hoje ao ouvirmos essas já distantes gravações da Bop Era, com seus ruídos de talheres, a emoção das pessoas sentindo-se vivas num pós guerra onde o mundo parecia de novo ter esperança, sentimos a presença de algo muito especial, mágico, único...
  Mesmo com toda essa mística, essa insondável magia que influenciou gerações, é forçoso dizer que temos que ir adiante...
   Isso porque a música como um todo, não consegue na repetição e imitação contínua de seus mestres, manter a mesma sensação de novidade, de renovação, de amplitude e revolução. Os mesmos "licks" que arrasaram convenções e abriram caminho para o progresso da música, agora são amarras que nos prendem a uma nova tradição criada pelo mesmo processo conservador  que um dia foi derrubado por essas mesmas frases. 
   A questão de realmente não haver nos dias de hoje uma unanimidade genial para ser seguida e copiada é bastante significativa. Isso pode causar medo e a sensação de que nada mais existe para ser inventado. Mas também pode ser a indicação de que a próxima revolução virá não de um novo messias da música, mas sim de uma atitude conjunta de todos e uma renovação não só nos processos de criação e difusão da arte , e da música especificamente, como também do próprio conceito de criação e o seu peso dentro de esferas diferentes. 
   Mas, seja na arte pura ou no show business, o novo sempre vem. não necessariamente melhor, mas vem...
   E então em termos práticos, o que fazer? Em primeiro lugar, fazer, agir. 
   Buscar novas soluções, sem medo de ousar ou errar. Isso já é um grande começo.
  

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Técnicas de Improvisação Para o Violão




Esse vídeo dá início a uma série de mini aulas nas quais quero mostrar um pouco da abordagem violonística da improvisação, com dicas de utilização das técnicas do instrumento aplicadas em situações criativas. a partir delas o instrumentista pode criar climas, compor, ou simplesmente curtir o instrumento em uma perspectiva aberta, utilizando a sua estrutura técnica como base para uma construção musical.