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sexta-feira, 28 de junho de 2013
No Quarto de Monk
Esse vídeo possui uma ambiência levemente expressionista e utiliza o piano de armário e sua sonoridade característica como parte da composição
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Aloysio Neves Trio II
Num show criado especialmente para essa ocasião, velhos e novos amigos irão se encontrar no dia 19 a partir das 19hs, com o objetivo de realizar uma proposta de fusão entre ritmo clássicos da nossa música brasileira tais como o samba e a bossa-nova (e sua derivação, o samba/jazz) com outras vertentes da música universal.
Dessa forma o compositor e instrumentista Aloysio Neves (violão e guitarra elétrica e semi-acústica) convida o contrabaixista André Santos e o baterista Paulo Diniz. Para realizar esse projeto teremos ainda a participação especial da cantora Mercedes Fraga.
Reunindo então no mesmo "set list" músicas como 'Ladeira da Preguiça" de Gilberto Gil, " Dolphin Dance" de Herbie Hancock, "Corcovado" de Tom Jobim , e "Ralph's Pianos Waltz " de John Abercrombie, "O Boto" de Luiz Eça, a inédita " Joe Pass Blues"e "Café" de Egberto Gismonti, a Aloysio Neves Trio II espera assim realizar uma síntese, um panorama das possibilidades renovadoras da música brasileira no seu encontro com o universal, esperando que daí possam surgir novas bossas novas forma de se fazer a nossa música.
O fato desse projeto ser realizado num espaço cultural o Memórias Do Rio(av.Gomes Freire 286 tel 22215441) , tradicionalmente ligado a raiz da nossa música, é fato que nos deixa muito satisfeitos pela possibilidade de agregar algum valor e esse conceito cultural e musical.
Espero que gostem e compareçam !!
segunda-feira, 6 de maio de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
A Ilusão da Perfeição Técnica na Música
Todos nós de uma certa forma buscamos na arte a forma perfeita de expressão. Queremos dizer que o artista tal que curtimos é perfeito e não tem falhas, assim como acreditamos nós, a nossa própria visão da arte.
A perfeição é atingida, em especial no campo da técnica, de forma praticamente indiscutível, por artistas laboriosos que praticam e premeditam durante anos os seus passos, para que os façam na sequência perfeita e de forma inaudita e insuspeita, praticamente como se não tivesse sido feita por um humano,mas sim por alguém especial, por um artista...
Ocorre que a repetição infindável do elemento que será colocado a prova de forma perfeita e insuspeita, perde de certa forma, o brilho da emoção encontrada ao acaso, como um raio de sol que ilumina repentinamente e de forma diferente um caminho habitual pelo qual estamos habituados a passar. Na música, a busca pela perfeição atingiu altos níveis através da edição, do corte, da masterização, de toda uma sorte de efeitos que colocam a técnica como condição primordial para a obtenção da qualidade.
Interessante é que paradoxalmente, a arte desde que abandonou os cânones do classicismo e vem paulatinamente incorporando a emoção subjetiva, no caso do Romantismo, e posteriormente do subjetivismo psíquico alçado pelo expressionismo, traz a tona exatamente as incertezas e instabilidades existenciais do ser humano. Como realizar de forma perfeita, traduzindo em música aquilo que por natureza é vago , imperfeito e sutil, cambiante, vacilante, dúbio e instável, exatamente como a natureza humana?
Ontem eu estava numa loja de música e a conversa passou a girar sobre os defeitos de uma banda, que o vocalista desafinava ao vivo, que a guitarra era desafinada,etc. Eis que um cara calmamente vira-se e diz:
- Pois eu prefiro isso tudo a essa perfeição igual, a essa padronização perfeita das bandas de hoje, que mediocrizaram bastante a produção musical através dessa perfeição vazia...
Ao concordar com ele , falei um pensamento meio improvisado, dizendo que os erros muitas vezes externam exatamente a luta do ser humano para superar a sua própria condição precária e chegar ao mais da existência, cumprindo assim a própria essência do projeto de vida


A perfeição da natureza começou a ser imitada a partir do momento em que o hoem não pode perceber apenas em si um projeto de perfeição.
Na música, não raro surgem ideias que buscam a perfeição da natureza. Um exemplo é a Sinfonia n.6 Pastoral de Beethoven
Mas vejam que de fato a perfeição da natureza pintada por Beethoven é de fato a perfeição da aristocracia clássica.
Já Debussy em La Mer...
O Impressionismo é mais sutil, variando entre as metáforas do mar e a própria impossibilidade deste materializar-se com palavras. Ponto para a a música...
No mundo da guitarra, vários músicos buscaram um ideal de perfeição técnica. Alguns são até bem legais, outros , embora superiormente elaborados, as vezes podem parecer até caricatos...
Mas vejam que de fato a perfeição da natureza pintada por Beethoven é de fato a perfeição da aristocracia clássica.
Já Debussy em La Mer...
O Impressionismo é mais sutil, variando entre as metáforas do mar e a própria impossibilidade deste materializar-se com palavras. Ponto para a a música...
No mundo da guitarra, vários músicos buscaram um ideal de perfeição técnica. Alguns são até bem legais, outros , embora superiormente elaborados, as vezes podem parecer até caricatos...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A Improvisação em Uma Visão do Século XXI Parte II
Dando sequência a esse pensamento sobre a improvisação no século XXI, que é claro começa com a forte alusão ao recém terminado século passado, pois nele como talvez em nenhum outro, se pesquisou a improvisação como uma fonte genuína de expressão musical.
A questão da superação do modelo Parker/ Montgomery criado de forma brilhante pelo jazz e que ainda hoje é de certa forma predominante na linguagem musical, e em especial, uma forte referência na guitarra jazz, já foi de fato debatida pela obra de alguns outros artistas, e não só guitarristas, que eu gostaria de citar aqui. Uma das primeiras referências para a quebra desse modelo, vem na verdade de fora do contexto do jazz, através do rock experimental de Jimi Hendrix. Ocorre que quando ele utiliza o ruído, um atonalismo de efeito muito aberto dentro do seu blues, ele aproxima-se de fato de abordagens tais como as de Ornette Coleman em seu clássico trabalho "Free Jazz".
Nesse ponto existe uma troca de informações entre linguagens diferentes, mas que trazem em si a mesma semente da renovação.
Nesse ponto existe uma troca de informações entre linguagens diferentes, mas que trazem em si a mesma semente da renovação.
Essas duas linguagens trouxeram para o mundo um novo significado em termos de sons e timbres, mas também de formas mais livres, desvinculadas da clássica estrutura ABA e suas variantes. A questão do conceito chord/melody ser também diluído em uma atmosfera mais rarefeita de sentido prático aparente, mas ligado a formação de vários signos estéticos de grande valor referencial para a humanidade, representam uma verdadeira reentrada da música nos grandes temas universais. Desde Beethoven e Wagner, e isso na música erudita, esses temas não eram assim abordados, sendo a exceção para o misticismo introspectivo de Debussy e Bill Evans, mas que aqui vem na forma de uma catarse estética muito forte.
Sob outros parametros, a busca pela renovação da linguagem encontrou eco nas cordas através de um grande violonista e compositor chamado Ralph Towner. Ele , ao contrário dos exemplos anteriores, nem realiza a catarse sonora e nem o lirismo frio, mas revitaliza a direção melódica com uma grande inventividade, unindo as vertentes, do rock, erudito e jazz.
A música de Towner realmente realiza uma outra síntese improvisacional que não passa pela gramática do Bepbop. Sua linguagem vem do erudito e da música contemporânea.
Mais especificamente na guitarra, temos dentre outros, alguns expoentes que realmente prepararam o terreno para o século XXI, afora estes que já foram citados.
Dois nomes não podem deixar de ser citados:
John McLaughin- Importante elo de ligação entre o jazz clássico e o jazz/rock, trabalhou um fraseado bem autoral, onde a velocidade e formações de shapes móveis são frequentes, seja tonal ou atonal.
Impossível também não citar o também inglês Allan Holdsworth como um mestre na expressão pós Coltrane, com um fraseado fluído onde o tonal e o atonal misturam-se criando o novo
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O ESTUDO DA LEITURA MUSICAL NA GUITARRA
O guitarrista está sempre envolvido com algum processo criativo, tipo
criando solos ou estudando escalas para inserir neles,compondo ou praticando
riffs, enfim, coisas que não necessitam do conhecimento da leitura musical.
Sempre através dos tempos, a guitarra e seus parentes diretos (violão,viola
caipira, folk guitar, alaúde,guitarra espanhola, etc) utilizaram-se de sistemas
de tablatura para passar suas idéias adiante.
Esse sistema, que com algumas
modificações é o mesmo que vemos hoje nas revistas especializadas junto com as
partituras, funciona muito bem se o guitarrista conhece a música. Já se ele não
possui o take para acompanhar junto e ir colocando os dedos nas posições
indicadas ,mas com o ritmo que ele está ouvindo, aí a coisa se complica um
pouco. Se for um arranjo escrito dentro de uma banda ou big band então, aí a
coisa fica mais estranha ainda, porque se o compositor ou arranjador não for
guitarrista, provavelmente ele não saberá lidar com a tablatura e ele imaginará
as idéias melódicas (as idéias harmônicas podem ser cifradas)e as escreverá numa
partitura.E então nos estaremos em apuros.
É sabido no mundo musical da enorme
deficiência que o guitarrista e ou violonista tem em relação a leitura. O
violonista tem melhorado muito nos últimos trinta anos em função dos estudo
eruditos que vem sendo escritos para esse instrumento, e também música de câmara
que tem inserido o violão nesse contexto. Já a guitarra ainda está engatinhando
nesse mundo e a quantidade de música escrita para ela pelos compositores ainda é
pequena.Por outro lado a transcrição de solos para estudo pelas revistas
especializadas tem avançado muito e realmente isso está gerando um material bem
legal que pode ser aprendido pela tablatura(desde que se tenha o take, ou pela
partitura. É claro que o sistema de tablatura é prático.Ele pode ser
compreendido sem muito esforço por qualquer garoto mais esperto.
Não estou aqui
para falar mal de algo que é uma realidade e uma ferramenta útil de aprendizado.
Agora, da mesma forma também a leitura assim deve ser vista, como uma expansão
das possibilidades do guitarrista em relação a música como um todo, vinculando o
instrumento ao corpo central da produção musical e não mantendo o
desenvolvimento do instrumento em separado, como um país que fala uma língua
estranha e não compreende outras línguas. Dessa forma vejo o mundo da guitarra
como algo em expansão e que mostrará no século XXI todo o seu potencial de
veiculo das idéias contemporâneas, numa continuação do já se viu na segunda
metade do século XX.Então, espero estar com essas poucas idéias, criando ânimo
para que os guitarristas incorporem a prática da leitura musical dentro da sua
grade de estudos.Sei que não é fácil e uma das maiores dificuldades da leitura
na guitarra é que o guitarrista está muito acostumado a tocar olhando o braço
para visualizar os desenhos de escalas e acordes.Isso deve ser praticado de
forma gradativa, até que ele consiga apenas dar umas rápidas olhadas referenciais
para o braço e continuar a observar o fio da meada musical escrito na
partitura.Acredito que ele não perderá nada com isso e, se a princípio isso pode
parecer inútil para os aspirantes a solistas e acompanhadores,no fundo essa
prática irá ampliar as oportunidades que surgirão com o desenvolvimento da
música, e da guitarra e dos guitarristas em especial.Então é isso.Estudem
leitura musical lendo um pouco de tudo, solos de jazz, chorinho, MPB,rock
progressivo, solos de grandes guitarristas, arranjos, solos de outros
instrumentos, música erudita, etc.
Você só ganhará com isso.
E a guitarra agradece.
domingo, 18 de novembro de 2012
Revisão na Técnica
Voltando Um Pouco Atrás
Bem, depois do último post onde falei sobre a necessidade de superarmos (o termo é forte, talvez o mais exato seria buscarmos outros caminhos) na improvisação o estilo do bep-bop e sua personificação na guitarra na figura do mestre Wes Montgomery, me veio uma vontade grande de mostrar algumas técnicas mais básicas de abordagem do instrumento para podermos nos fortalecer em termos técnicos para essa nada fácil missão. Lembrei então dessa aula de independência de dedos que eu já havia colocado no canal da escola a algum tempo atrás e que agora pode a luz dessa proposição ser revista e utilizada como uma ponte entre o estilo mais tradicional do jazz e outras possibilidades.
É importante aqui dizer que não vai nesse tipo de proposta nenhum tipo de negação ao estilo vigente da guitarra jazz. E isso nem seria possível, pois a história do instrumento está aí , ja foi escrita e seus ícones e valores postos e suas obras são uma influência permanente na criação de novos guitarristas. Observando com atenção a aula, vesse que de fato existe dentro dela mesma momentos de citação ao estilo tradicional da guitarra. O que de fato se quer é a partir de uma abordagem técnica, chegar-se a uma solução de continuidade onde a guitarra possa permanecer com o seu "status quo" de instrumento ligado a modernidade.
Nessa aula existe uma referencia anterior a exercícios de independência de dedos que são de uso corrente pelos guitarrista e professores de guitarra em geral. Caso haja alguma dúvida sobre isso, posso tranquilamente passar maiores informações. basta escrever para aloysioneves@guitarravirtual.com ou ainda aloysneves@gmail.com ,ok?
Na sequência voltaremos a discussão mais filosófica e a alternaremos com algumas propostas práticas para continuar o processo de entendimento do instrumento em sua concepção original, além buscar linguagens contemporâneas, próprias e mesmo autorais que revitalizem nossa perspectiva diante da guitarra e afins como veículos da expressão musical, essa sim uma forma inesgotável de contar para nós de uma outra forma a nossa história.
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